Informações gerais

Cadeira: 38
Posição: 1
Data de nascimento: 02/11/1963
Naturalidade: Salto/SP
Patrono: Mário Quintana
Data de posse: 16 de junho de 2013
 

Biografia

Rose Ferrari é bacharel em Jornalismo pela Universidade Metodista de Piracicaba e pós-graduada em Português: Língua e Literatura pela Universidade Metodista de São Paulo. Em 27 anos de carreira, atuou nas áreas de Assessoria de Imprensa, Reportagem, Chefia de Reportagem e Edição de Jornais e Revistas. Há dez anos dedica-se também à edição de livros, sendo a atual proprietária da Editora Mirarte, com sede em Salto/SP.

Como assessora de imprensa, prestou serviços para a Prefeitura de Salto, a Cervejaria Schincariol (atual Brasil Kirin) e a GasNatural SPS (atual Gas Natural Fenosa), entre outras.

Entre os empregos e trabalhos como free-lancer, esteve nos seguintes veículos de comunicação: jornais Cruzeiro do Sul (Sorocaba), Bom Dia (Sorocaba), O Globo (Rio de Janeiro), Correio Popular (Campinas) e revista Veja São Paulo.

Além disso, editou inúmeros veículos (jornais e revistas) institucionais, entre eles a revista Ciesp Notícias (Sorocaba) e a OAB Revista (Sorocaba).

Foi agraciada com os seguintes prêmios jornalísticos:
2000 - Melhor Reportagem no Concurso Jornalístico da Prefeitura de Sorocaba
2002 - Melhor Reportagem no Concurso Jornalístico da Prefeitura de Sorocaba
2002 - Troféu Prata no Prêmio Jornalístico de Direitos Humanos Asi/LuK
2003 - Troféu Prata no Prêmio Jornalístico de Direitos Humanos Asi/LuK
2004 - Melhor Jornal de Empresa no Concurso Jornalístico da Prefeitura de Sorocaba

Foi titular da cadeira de Literatura no Conselho Municipal de Políticas Culturais de Salto no biênio 2014/2015.

 

Bibliografia

Obras publicadas
"Academia Saltense de Letras - Coletânea II" (EME, 2013).

Obras editadas“Cidade dos Esquecidos – a vida dos hansenianos num antigo leprosário do Brasil”, de Katia Auvray (Ottoni, 2005).

“As 7 vidas de uma história”, de Débora Brenga (Ferrari & Auvray, 2010).

“Ettore: autobiografia mesclada à história”, de Ettore Liberalesso (Mirarte, 2012).

“O mapa encantado – introdução à história da fundação de Salto”, Coleção Magia da História v. 1, de Katia Auvray (Mirarte, 2012).

“O trem mágico - introdução à história da ferrovia em Salto”, Coleção Magia da História v. 2, de Katia Auvray (Mirarte, 2012).

“O fantástico mundo das chaminés - introdução à história da industrialização em Salto”, Coleção Magia da História v. 3, de Katia Auvray (Mirarte, 2012).

“O mistério da chave - introdução à história da presença italiana em Salto”, Coleção Magia da História v. 4, de Katia Auvray (Mirarte, 2012).

“O incrível quebra-cabeça - introdução à história da presença africana em Salto”, Coleção Magia da História v. 5, de Katia Auvray (Mirarte, 2012).

“O amor que veio das águas”, de Odair Schiavone (Mirarte, 2012).

“Conversas entrelinhas”, de Mércia Falcini (Mirarte, 2012).

“CCS 60 anos – Seis décadas semeando alegrias e amizade”, de Ângela Fiorenzo (Mirarte, 2012).

“A água pura do poço mágico”, de Lázaro Piunti (Mirarte, 2012).

“Peron – Abrindo caminhos”, de Evandro Schiavone (Mirarte, 2013).

“África: nossa história, nossa gente”, de Ademir Barros dos Santos (Mirarte, 2015).

“Jovens Talentos da Literatura”, coletânea (Mirarte, 2015).

“A história de Mani”, de Virgínia Liberalesso (Mirarte, 2015).

"Malu no Mundo dos Brinquedos", de Carolina Padreca (Mirarte, 2015).

“Língua Brasileira de Sinais: LIBRAS – Módulo I", de Rogério Carlos Lamana (Mirarte, 2016).

Discurso de posse

DSC03108Bom dia a todos!

Estou muito feliz por estar na companhia de vocês neste importante momento da minha vida.

Especialmente de meus pais - João e Edith -, minhas irmãs e meus melhores amigos, que se encontram presentes.

Nunca almejei integrar a Academia Saltense de Letras, mas hoje sou admitida neste grupo de pessoas que se distinguem principalmente por seu conhecimento e apreço pela língua portuguesa e pela literatura brasileira.

Antes de aceitar o convite, questionei muito se reunia méritos para ser uma acadêmica.

E essa dúvida permaneceu comigo, mesmo depois que aceitei ser indicada e fui acolhida pela Asle.

O conflito cresceu ainda mais quando escolhi meu patrono, o escritor gaúcho Mário Quintana, pois, apesar da riqueza de sua produção literária, Quintana nunca integrou a Academia Brasileira de Letras.

Meio a contragosto, ele foi indicado por três vezes uma vaga, mas em nenhuma alcançou os 20 votos necessários à sua eleição.

Ao ser convidado a candidatar-se uma quarta vez, mesmo com a promessa de unanimidade em torno de seu nome, o poeta recusou.

Ele não reunia méritos? Claro que sim!

Nascido em 1906, no município de Alegrete/RS, Mário Quintana passou mais de meio século produzindo literatura do mais alto nível.

Publicou 19 livros de poesia, 6 infantis, 14 antologias e mais de uma centena de traduções do francês, entre elas “Em busca do tempo perdido”, de Marcel Proust.

Além disso, estima-se que tenha traduzido um sem-número de histórias românticas e contos policiais, sem receber créditos por isso - uma prática comum nos anos 40 e 50.

Meu patrono, assim como eu, atuou também como jornalista.

Começou aos 23 anos no jornal O Estado do Rio Grande, como tradutor dos telegramas enviados pelas agências internacionais de notícias. Mais tarde, criou a coluna “Jornal dos jornais”.

Lia todos os veículos de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo e preparava uma síntese comentada.

Trabalhou também na Editora Globo e no jornal Correio do Povo, onde manteve, durante muitos anos, a famosa coluna semanal “Caderno H”.

É desnecessário me alongar para demonstrar que Mário Quintana teve muito mais méritos para integrar a Academia Brasileira de Letras do que tenho eu para estar nesta nossa Academia Saltense de Letras. Mas nem só de méritos são feitas as academias...

A verdade é que Mário Quintana nunca se submeteu ao necessário rapapé cortesão que caracteriza as campanhas eleitorais na Academia Brasileira de Letras.

E nessa característica tenho orgulho de assemelhar-me ao meu patrono.

Sobre isso, ele disse certa vez numa entrevista:

Eu não gosto de Academia e jamais quis pertencer a ela porque a gente perde um tempo enorme recebendo visitantes estrangeiros de valor muito suspeito.

Se pensa que ser estrangeiro é grande coisa, que francês ou inglês é uma raridade e não é bem assim.

Depois, na Academia, se começa a discutir quem vai ser o sucessor de quem, se recebem pressões de toda parte para se votar e eu acho que isso atrapalha a vida do camarada, não é?

Acho que, antes de tudo, a Academia deveria ter muita gente jovem, ter renovação.”

Pensando nessas palavras de Quintana, acalmo meu coração quanto aos meus méritos e agradeço minha escolha para esta vaga na Academia Saltense de Letras.

Abraço-a, não como uma distinção social ligada ao encastelamento da cultura e do conhecimento, mas como mais um desafio.

O desafio de contribuir em projetos de valorização da língua portuguesa e da literatura brasileira, campanhas de estímulo à leitura e incentivo a novos escritores.

Que Deus nos ajude nessas tarefas!

Muito obrigada!